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Wallace Andrioli Guedes, Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"O tempo dos musicais no cinema parecia ter chegado ao fim. Desde "O Show Deve Continuar" ("All that Jazz") , de 1979 , um representante do gênero não era indicado ao Oscar de melhor filme. Tirando raras exceções , como "Dançando no Escuro" e "Evita" , poucos filmes desse tipo eram produzidos na Hollywood atual. Mas em 2001 , o diretor Baz Luhrmann lançou "Moulin Rouge" , um musical ousado , diferente , que conquistou platéias e a crítica mundo afora , e foi indicado ao prêmio da Academia nas categorias principais. Foi o incentivo que faltava para o retorno desse gênero , que nos deu clássicos como "Cantando na Chuva" , "A Noviça Rebelde" , "Amor , Sublime Amor" , "Cabaret" , por exemplo , ao foco principal do cinema atual. E aí veio "Chicago" Na verdade , a história contada no filme tem fundos reais. Na década de 20 , uma jovem que sonhava em ser dançarina assassinou seu amante , foi presa , mas acabou se tornando uma celebridade na época. Alguns anos depois , esse curioso acontecimento tornou-se uma peça teatral , , já ganhando contornos ficcionais , e mais tarde dois filmes para o cinema. Em 1975 , Bob Fosse adaptou essa história para a Broadway. É daí que vem a trama que vemos no filme. Aliás , transportá-la para o cinema era um dos grandes sonhos de Fosse , diretor de obras aclamadas como "Cabaret" , "O Show Deve Continuar" e "Lenny" , mas sua morte em 1987 pareceu colocar um ponto final nessa chance. Mas o coreógrafo Rob Marshall , que nunca tinha dirigido um filme para a tela grande , resolveu "ressuscitar" o projeto , e conseguiu , no final de 2002 , enfim lançá-lo nos cinemas ianques. A aclamação foi imediata , transformando "Chicago" no grande favorito ao Oscar 2003 , onde recebeu 13 indicações (1 a menos que os recordistas "A Malvada" e "Titanic") , das quais poucas não foram merecidas (só achei um exagero indicar Queen Latifah a melhor atriz coadjuvante). A produção ainda arrebatou 3 Globos de Ouro : melhor filme em comédia ou musical , melhor ator em comédia ou musical (Richard Gere) e melhor atriz em comédia ou musical (Renée Zellweger). Em meio a todo esse furor , o filme estreou no Brasil , sob grandes expectativas. E não decepcionou. Uso como parâmetro para comparação o também indicado ao Oscar de melhor filme nesse ano "Gangues de Nova York" , que causou enormes expectativas nos fãs , e não fãs , de Martin Scorsese e acabou decepcionando por ser uma obra extremamente confusa e pretensiosa (sem perder a qualidade). São filmes completamente diferentes , mas que criaram expectativas parecidas. "Chicago" , cumpre o que promete e mostra o porquê de todo o destaque que vem recebendo. É impossível não gostar do filme. Ele possui um ritmo delicioso , não é frenético como "Moulin Rouge" mas também não é lento e arrastado como "Dançando no Escuro" , por exemplo. Tem atuações excepcionais , com destaque para o trio principal , Gere , Zellweger e Catherine Zeta-Jones , e para John C. Reilly. Um roteiro enxuto , inteligente , cheio de sacadas geniais , e uma parte técnica deslumbrante. E , é lógico , um fantástica trilha sonora , que contém canções inesquecíveis como "Razzle Dazzle" e "All That Jazz" , todas interpretadas magistralmente pelo elenco. Ou seja , é uma produção admirável , um filme merecedor dos prêmios que vem recebendo , e que , se não é inovador como "Moulin Rouge" , é de uma simplicidade impressionante , capaz de conquistar o espectador desde seu minuto inicial. Se ganhar o Oscar de melhor filme , a estatueta estará em boas mãos."