Carlos Massari (e-mail), BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:

"Quem diz que Liv Tyler não tem talentoé porque certamente nunca assistiu a esse "Beleza Roubada". A moça dá um verdadeiro show em um filme sensível e tocante, com a maestria do premiado diretor Bernardo Bertolucci ("O último imperador", "1900"). Por mais que seja acusada, ela dá mais uma grande prova de ser uma das mais talentosas da atualidade.

A história é bastante simples, o que desagradou várias pessoas. Após o suicídio da mãe, Lucy (Tyler) parte para a Toscana com as intenções de reencontrar seu primeiro amor, com quem pretende perder a virgindade (já com 19 anos) e, depois, se casar. Lá ela encontra diversas pessoas diferentes, como um escultor (ela também fora para ser esculpida), um homem à beira da morte que se apaixona por ela e três jovens que tem o mesmo destino do homem citado acima. Além disso, conforme sua beleza estonteante contagia todos os seus amigos, ela tenta decifrar um enigma que encontrara no diário da mãe, sobre sua geração.

Essa premissa é, aparentemente, bem fraca, mas o roteiro foi construído com solidez e deu força a todos os personagens, além de construir situações empolgantes. Assim, todas as cenas se encaixam na projeção, mostrando várias verdades da vida, como nenhuma pessoa é o que realmente aparenta ser, e também a dura busca pela maturidade.

Mensagens fortes, traduzidas em cenas também brilhantes. A chegada de Lucy à vila já é ótima, e, depois, cada novo personagem é apresentado como se fosse a prioridade do filme. Mas o grande destaque fica mesmo para a meia hora final, onde o filme chega a um desfecho sensível (como todo o filme), agradável, emocionante e que conquista o público com aquilo que ele torceu por toda projeção, ainda com closes bem indiscretos (e que arrancam suspiros do espectador) na bela Liv Tyler.

O diretor Bertolucci, premiado por diversas organizações, faz aqui um trabalho menos reconhecido, mas talvez o melhor de sua carreira. Sua direção explora os detalhes e, com um ritmo lento e seguro, vai envolvendo o espectador com os personagens, sem deixar a projeção jamais ficar monótona. O filme foi bem acusado disso, mas eu, pelo menos, nem senti os 123 minutos passarem.

O elenco, com várias estrelas do cinema, está ótimo. A sempre bela Rachel Weisz está em um papel menor, mas ainda assim consegue se destacar. Jeremy Irons comove com seu papel, do homem à beira da morte apaixonado por Liv. Convence toda a platéia. Mas o show é de Liv mesmo. Ela arranca suspiros com sua beleza e ainda consegue uma atuação sensível e conquistadora, que é trágica e alegre ao mesmo tempo. Acho que ninguém mais tem coragem de criticá-la após ver esse filme.

"Beleza Roubada" é um filme comovente, cheio de surpresas e sensibilidade. O melhor que já vi de Bertolucci e um dos melhores dos últimos anos."